Meia dúzia de propostas que atendam aos interesses da população, um jingle daqueles que grudam e uma pitada de simpatia. Em ano eleitoral, cursos do tipo "receita de bolo" para ter sucesso nas urnas proliferam. Nesse mercado, planejamento de campanha e ações de marketing são os principais produtos.
De acordo com o consultor Célio Hoegen, há muito tempo se convencionou que fazer campanha é entregar santinho e fazer discurso, mas há uma necessidade de mudar o paradigma. Para ele, é importante que o candidato estabeleça um diferencial em relação aos outros.
— A gente trabalha muito a questão do candidato evidenciar suas qualidades e criar uma identidade com o público. Quanto maior a afinidade com o eleitor, melhor — diz Hoegen.
O especialista em marketing eleitoral Marco Iten, que há 20 anos oferece cursos de preparação para candidatos, também desconstrói a ideia de que campanha significa espalhar cabos eleitorais pela cidade para distribuir material de propaganda.
— Isso é uma coisa arcaica. É preciso qualificação. É um processo lento e gradual —afirma.
Iten tem uma empresa em São Paulo, mas leva cursos a outros estados, inclusive Santa Catarina, quando há demanda. Só neste ano, prevê passar por 60 cidades, atendendo, em cada uma delas, de 150 a 200 candidatos.
Ele não tem estatísticas de quantos alunos foram vitoriosos nas urnas depois do curso, mas garante que há políticos conhecidos no país que foram alunos da empresa. O consultor diz que não cita nomes, argumentando que alguns se sentem constrangidos em admitir que passaram por esse tipo de treinamento.
Na lógica dos especialistas, para além da distribuição de material de campanha, os candidatos precisam se familiarizar com assuntos como legislação, identidade visual e comunicação com a imprensa. Na avaliação do jornalista Emerson Teixeira, que ministra cursos de marketing focado em eleições em Santa Catarina, "a comunicação é o ar que o político respira".
O jornalista destaca que o candidato precisa ser conhecido pelo público para ter mais chances de ser eleito. Fazer um curso específico para aprender a lidar com a mídia, os chamados media training, pode ajudar bastante.
— Sem isso, eles falam besteiras demais, se comportam de forma errada, gesticulam em excesso e falam errado — entrega Emerson.
Segundo ele, uma opção mais barata para melhorar a comunicação é treinar em frente a um espelho e simular que está em discursos de campanha. Emerson lembra que outra forma de comunicação que tem crescido e aumentado o contato direto com o eleitor são as redes sociais, como o Twitter e o Facebook.
Mas ele destaca que é preciso tomar cuidado ao utilizar as diversas plataformas da internet, porque quando o candidato assume um perfil tudo que ele diz é declaração oficial, como numa entrevista à imprensa ou num programa eleitoral.
Em Santa Catarina, a partir do mês de março, pelo menos três cursos de formação de candidatos de olho nos pré-candidatos das eleições municipais de outubro deste ano: De Olho no Voto, em Joinville; Marketing Político, Redes Sociais e Oratória, em Criciúma; e Escola para Líderes Públicos e Políticos, que vai passar por municípios da Grande Florianópolis.








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19//05/2012 - Sobre Cirurgias Plásticas
